2/21/2005

Lilia Chaves

na canoa

a palidez inunda a proa
– na canoa debruçada
o que bebo do rio
não é a lua
sorvo o reflexo
da distância

(e tu, que sorves
no corpo da amada?)

escoando o barco
eu meço o peito vazio
a rima soa
sugerindo
mundos
na embriaguez da noite nua

(e tu, que surges
nos lábios de minha ânsia?)

desmaia a tez da lua louca
– é o líquido luar
que me amanhece
desfio a alma
no destino
da canoa

(e tu, que luas
derramaste em minha boca?)


Lilia Silvestre Chaves

2/18/2005

declives

declives
(...) a arte da perda não custa mesmo a aprender. É só deixar-se ir ...

Soledade Santos


entre versos e
noites serra
abaixo caminha meu
corpo entre

linhas sobre
pedras fluem todas
minhas
dores

desmoronam-se os
olhares arruinam-se os
gestos nas

horas que se
espalham lentas nas
ladeiras

e se refazem antes do dia
clarear


Adair Carvalhais Júnior

2/15/2005

Virna Teixeira

península



tarde passada no aquário



pela vidraça,

cardumes

escamas



uns corais onde

se feriu



esguicho

púrpura



no verde, a água

dissolvia

tudo




Virna Teixeira
(http://papelderascunho.blogspot.com/)

2/11/2005

mar

"No sol de mar do céu...
João Cabral de Melo Neto




presença líquida de ser
ras e vales todas as
manhãs na espuma
embranquecida

solidão de tantas
profundidades vastos
silêncios enlu
arados

planície infinita azul mudando em
verdes e cinzas anoi
tecendo
lento



Adair Carvalhais Júnior

2/04/2005

biografia XIV: península

mar era novidade sempre
refeita corpos
quentes largados na
areia

planície de cor
indefinível memória
longínqua dos
vales

era completa ausência silêncio
indevassável esperança das
serras
embrutecidas nossa

única companhia


Adair Carvalhais Júnior

biografia XIV: península




mar era novidade sempre
refeita corpos
quentes largados na
areia

planície de cor
indefinível memória
longínqua dos
vales

era completa ausência silêncio
indevassável esperança das
serras
embrutecidas nossa

única companhia


Adair Carvalhais Júnior

2/02/2005

Ivan Junqueira

E Se Eu Disser


E se eu disser que te amo - assim, de cara,
sem mais delonga ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tua clara
maneira de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro
em tua ausência - essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.

Ivan Junqueira

Alice estréia na internet

A Janela


A janela de minhas férias tem um ar agradavel. Eu não tinha nada o que fazer por isso ficava ha janela sob a sombra e o frescor. Imaginava histórias, me divertia ao calor do dia e, as vezes lia um livro com textos calmos e coloridos. É...mas aqueles tesouros só duravam nas férias. É porque nas férias todos aproveitam para ficar em casa. Por isso não se passava carro na vizinhança. As vezes parava um pouco de olhar e... Quando eu voltava para janela lá estava o garoto do prédio vizinho me olhando.
A vista não era boa: um prédio na frente e outro ao lado. A da cozinha um lote vago. A da sala rua e prédios. Passei meses na janela até que um dia... BIIIII ! RONC ! BIIBI !! eram os carros ! Adeus janela ! Até as proximas férias ! Férias divertidas, lembranças queridas...


Alice Leroy Carvalhais
dezembro 2004.

Ps. O texto está publicado exatamente como escrito pela autora, mantendo-se a grafia original.

2/01/2005

Soledade

Soledade é uma grande amiga. Ainda não nos vimos mas nos conhecemos muito bem.
Além de grande amiga tem sido, para mim e meu trabalho, uma referência constante, lúcida e sempre próxima.
Vejam porque...


OUTRA LUA


Outra lua encheu e começa a minguar,

imensa lua de Inverno branca

em desmaiado azul de antemanhã.

Que luz fria se entranhou nas mãos

e abriu fissuras,

no coração silencia o canto

e nos olhos, do choro fez calmaria.



Tão pálida, tão alta. Aprende-se a olhá-la

como fragmento de nós ausente,

espelho de mundo sem espessura.




Uma lua

como se não tornasse a haver Verão.



Soledade Santos

2005

Dreamers

Amor, sexo, música, política e, claro, muito cinema. Misturados pelas mãos de Bertolucci com um roteiro simples mas muito eficiente, estes temas são tratados na Paris de 1968 através de uma história entre um casal de irmãos franceses e um recente amigo americano, todos estudantes. Maravilhoso !
Ps. Para quem gosta de rock a trilha é imperdível. Mas não se perca: a fotografia, as tomadas noturnas da cidade e a sensibilidade com que a relação entre os três é tratada são admiráveis.