11/21/2006

lembrança

difere de tudo que
conheço teu
olhar manchado de
verde teu corpo alçado a
sonho vigio os

sinais mudos madrugada a
dentro sem jamais
compreender

difere de tudo que já
vi estas noites tão
compridas que se aliviam nos
teus
lábios persigo a

alegria que se alastra um
silêncio que valha
a pena

Adair Carvalhais Júnior
antes
era o

rio enchendo
d’água meus
olhos ardendo do sol
forte nareia
branquíssima a

família na calçada a
rua que parava pras
crianças
brincarem depois

outra

cidade cada
vez mais
longe o cheiro da
terra
abandonada a

estrada deserta e tanta
solidão em
meio a tanta
gente

Adair Carvalhais Júnior

erosão

amei você na superfície
da manhã e na escuridão mais
funda da
noite amei com uma

força que não
tinha e um corpo inteiramente
desconhecido

amei com minhas melhores
lágrimas e toda a
poesia que pude
inventar amei você mesmo não

compreendendo cada
vez mais



um dia tudo

se

esvai


Adair Carvalhais Júnior