2/26/2007

solidão


para Samantha

a cidade entupida de clarões e

estridências insiste em não

dormir aos


poucos invade meu

corpo minhas



horas

frágeis



a cidade imunda e sempre

cheia de coisas muito

pouco importantes usurpa meus



dias e ninguém

mais

meus

poemas

Adair Carvalhais Júnior

agrário

repara no meu

corpo quando de mim te

aproximas nos


meus olhos quando não

consigo dizer mais

nada


na minha boca

seca nas minhas mãos

adormecidas sou um


latifúndio exangue entregue aos

teus

ventos


Adair Carvalhais Júnior

uni in verso

meu verso partiu se ao

meio do dia em

cima da


hora inútil dentre tantas

inutilidades não

move céu muito

menos

montanhas


impotente ante tamanha

tristeza meu

verso desmoronou antes da

noite acabar


avesso do meu

corpo desencontro o em

todos os

lugares


Adair Carvalhais Júnior