6/17/2007

desamparo


e como não havia mais

palavras nutri me dos céus de

brasília do sangue

escuro de ouro

preto

teus silêncios refizeram se em meus

gritos tua

voz ausente esvaziou

se em

mim

e como nada me dizia coisa

alguma teu

sorriso recriou se em

mim tua

poesia perdeu

se

na

minha

Adair Carvalhais Júnior

biografia XXVIII-filhos


recosto me no sofá aos

meus pés alice devora os

dias amontoados em

livros


o seu abraço refaz em

mim todo

o

mundo



no quarto dos fundos um enorme

homem criança encara a

vida com corajosos olhos

frágeis


o seu sorriso faz

me permanecer

acreditando


o silêncio ainda

é a matéria

prima da

poesia




Adair Carvalhais Júnior

grãos


abandonaste os caminhos que

percorríamos próximos a

luz que nos

encantava


os sentidos que procurávamos um

no outro nossos quase

invisíveis

rastros


deixaste a casa de nosso

nascimento o solo

morno das nossas

canções as


estrelas vagando sem

pouso todos nossos

rios

murchos



carregaste contigo minha

poesia

Adair Carvalhais Júnior

acervo



permanece em

mim a brisa do teu

sorriso feito

sonho o


roçar de teu

hálito íntima

ardência


qual raiz o

cheiro de teu

adormecer em

mim o


rumor de teus

cílios quietude de

lago


Adair Carvalhais Júnior

sombra


a paixão espreitou minha

porta sorriu com teus

olhos fez me ouvir tão


perto tua

voz

distante ventou


impetuosa nos galhos das

árvores esqueceu se nos teus

cabelos assustou meus


pássaros que de

repente fugiram

de ti a



paixão aqueceu

meu

corpo e sumiu mansa

mente





Adair Carvalhais Júnior