10/23/2007

(sem título)

horas compridas



entre coisas

tantas sem


sentido não

encontro

lugar


nenhum



adormeço como

anoiteço


dias demasiado

compridos


a carne inutil

mente exposta


a vida esgotada




Adair Carvalhais Júnior

rumo



mas havia a lua ainda sobre a

noite e os sonhos feito

nascentes



e seu corpo preenchendo as horas

longas debruçado sobre minha

solidão


porque havia por trás de seus

olhos a promessa de outros

destinos o


ardor de sua ausência ferindo a

madrugada poderia logo

cedo morrer de


você



Adair Carvalhais Júnior

fantasia


teu sorriso lua

infindável da minha enorme

perdição



quando todas as estrelas se

recolheram


teu poema se desenhando nas

memórias do meu

corpo


quando a noite inteira já

adormeceu



teus braços nossa

praia

deserta


quando já não há mais

porto




Adair Carvalhais Júnior