5/18/2008

lume


os dias se desprendem dos

dias cada vez mais

longos sempre mais


frios embrenhando se em

mim


pronuncio as nossas

palavras sob a sombra enevoada da

lua que devagar me


envolve


prendo me à vegetação de nossas

praias aos nossos intangíveis

sonhos


na tua voz

distante

aconchego minha


imensa


saudade



Adair Carvalhais Júnior

brechas

por onde traço meus poucos

passos o solo permanece

gretado os


olhos apenas sussurram

luas


os vales cada vez

mais estéreis minhas

periferias ardentes os


lábios sempre incitando

furacões


neste avassalador silêncio

que tudo

recobre apenas

resisto



Adair Carvalhais Júnior