8/23/2016

retiro



                

                passos silenciosos impressos
                nas paredes da sala raros

                vestígios dispersos nas
                janelas fechadas

                noites feito abismos
                de inescapáveis vazios

                dias como brasas
                de silenciosas angústias

                sombras nos recessos
                do olhar lembranças
                nas mãos envelhecidas
       
                o corpo ao pé
                da porta





Poema e foto: Adair Carvalhais Jr.

8/16/2016

claro



                onde havia algumas poucas
                palavras

                sons sutis de silêncio

                brota uma crua desmedida
                dor rasga largas

                latitudes

                deriva o corpo afunda onde
                houve um

desejo um sentido roto

uma miséria inaudita emerge
perfura o negrume a

densa ausência

arrasa o cais bloqueia
as marés onde havia


mínimas palavras

8/09/2016

rumo


por onde andam rios
margens após margens
contornos de leitos e barcos
demandando matas
por onde andam árvores
vales seguindo vales
memórias de montanhas e nuvens
buscando rios
por onde andam estradas
curvas depois de curvas caminhos
de terra e pedras
moldando horizontes
os homens estreitos
e seus cachorros magros
cercados de desejos insones vagam
irremediáveis
sem compreender nada


Poema e foto: Adair Carvalhais Jr

6/30/2016

outono

                                     
       

                no interior da sombra
                morna expande se a fisionomia
                das altas árvores que ladeiam
                a estrada

                vozes fluidas entre
                as folhas passos encobertos
                de silêncio frescor

                memórias dispersas sons
                seculares manchas úmidas
                de terra

                de manhã a luz
                vigorosa tudo

                esconde
















Poema e foto: Adair Carvalhais Júnior

6/23/2016

filhos




o velho fusca levava
estradas e estradas afora o odor
branco das flores
do limoeiro

ia e vinha a poeira
dos dias cansados

o rio velho levava
encostas e encostas afora
as folhas leves
das castanheiras

a sombra verde
das castanheiras

as árvores velhas
levavam os sonhos
ventos e ventos
afora

as estradas poeirentas
onde meus irmãos viajavam

no quintal da casa
a velha montanha
contava histórias

do mundo inteiro