todos os dias ouvíamos
o mato crescer
sob nossas janelas
e do lado de longe
o brando rumorejar
das árvores
começo do caminho
acercávamos dos segredos
turvos espalhados pelos
silêncios
corpos tateando a memória
das tardes
atracávamos sonhos
nas brechas luminosas
dos nossos desencontros
atalhos cambiantes
haverá sempre um rio
desbravando vãos insondáveis
no caminho do mar
Adair Carvalhais Júnior