9/01/2014

órfãos


meu pai ensinou as profundidades
dos rios suas altas
margens

minha mãe o nome da
solidão seu cheiro
entranhado no corpo
                       
a lonjura das estradas
poeirentas um mundo
de ausências
                       
as âncoras e os modos
de se entrelaçarem as
mãos ainda


procuro


Adair Carvalhais Júnior 

2 comentários:

Elizabeth Martins disse...

A forma como descreve/sente a sua orfandade, de pai e mãe, chegou a doer, aqui!
Bj

Adair Carvalhais Júnior disse...

Acho que meus pais eram órfãos deles mesmos. Nós, os filhos, tínhamos pai e mãe. Eles faltavam a eles mesmos,
Beth.

Obrigado pela leitura e pelo comentário.

Beijo