5/27/2014

renúncia

                         

                no silêncio claro cortado
                apenas pelas coisas
                domésticas a chaleira o moedor
                de café o rádio mal
                sintonizado

                o dia se estendendo
                do pé das árvores ao cintilar
                das montanhas o vento empurrando
                a neblina fria

                a rede trançada balançando
                a moça amada o cão
                estirado à porta

                as brasas enrubescidas
                no fogão a lenha as roupas
                coloridas no varal

                nas horas suspensas somente
                o vôo dos pássaros habita
                o horizonte


Adair Carvalhais Júnior


2 comentários:

Malmal mal disse...

Lindo poema , gosto da paz imediata que já nos primeiros versos dita o tom do poema.

Um beijo, Feio.
Sempre muito bom te ler!

Adair Carvalhais Júnior disse...

Pois é, minha amiga, o silêncio é o encontro da renúncia. Sem ele, nada feito.

beijo prá você.

E obrigado por estar me lendo por aqui.